As maletas de Tulse Luper
Peter Greenaway, o cineasta britânico famoso por alimentar a rebelde afirmação de que "o cinema está morto", esteve no Brasil neste final de semana abrindo o 16º Festival Internacional de Arte Eletrônica Sesc Videobrasil. Seu discurso prega a ruptura do padrão linear de narrativa do cinema contemporâneo, e os 50 minutos de filmes exibidos ao ar livre na Av. Paulista neste domingo foi a maior prova de que Peter está falando bastante sério.
Três grandes telões exibiam cenas montadas na hora pelo diretor, acompanhados por um DJ que também trabalhava ao vivo. "Estonteante" - se é que uma palavra é capaz de resumir toda a experiência. O vídeo abaixo não foi filmado aqui no Brasil, mas mostra uma outra apresentação ao vivo do mesmo filme: The Tulse Luper Suitcases.
O diretor brindou o público com cenas fortíssimas e reflexões inteligentes a céu aberto. E provou que existem muitas formas de se contar uma história sem precisar recorrer à cronologia, ao linear, e o mais impressionante: às palavras.
"O cinema como meio de comunicação de idéias está morto. A produção contemporânea é entediante. Em 10 minutos de filme já se sabe o que vai acontecer, como vai acontecer e de que forma vai terminar. A psiquê humana precisa de novidades. O cinema precisa desesperadamente ser reinventado, assim como qualquer mídia tem que se reinventar (...) Esses 112 anos foram apenas o prólogo do cinema"
Peter Greenaway